Sim, esse é o meu maior sonho. Viver esse tal de "amor" que tanto falam, ouvir de alguém as deliciosas três palavras e gritá-las sem medo para o mundo. Quem é que não quer encontrar a sua metade da laranja, seu abraço seguro, seu cobertor de orelhas, seu beijo interminável? Que delícia pensar no quanto pode ser possível encontrar e viver essas desventuras do tal amor.
Mas, é preciso confessar que ainda me vejo como a vítima preferida do rival desse tal amor, sou vítima de ilusões, mentiras e dos momentos sem continuidades. Por mais que eu fale da minha culpa, a desilusão fez morada em meu coração e por mais que o "pobre" não se canse de acreditar nesse tal do amor, eu tenho medo, confesso: Sinto medo, muito medo.
Medo de me apaixonar e não ser correspondida, medo de levar à sério o que venha ser apenas uma brincadeira, medo de dar asas para palavras em vão, medo de acreditar num olhar que possa estar mirando o vazio, medo de ter mais um momento para colecionar, medo de ter mais uma experiência, medo de sentir que nada valeu a pena, medo de ter arriscado no vazio, medo, medo, medo.
Ok. Vamos diminuir o drama, o clichê da pobrezinha que nunca amou e nunca foi amada. O objetivo disso tudo é dizer que ás vezes é preciso PARAR. Ficar com o coração vazio, com a mente só em si próprio, em projetos profissionais e ponto.
Criei uma barreira super protetora. Mas vi que ela poderia ser quebrada, ao falar, ao ver, ao sentir... Pequenas mudanças no meu dia a dia que ao levar na "boa", me fez ficar a beira de um surto e mais uma vez o medo me afastou de, de repente, conhecer o tal do amor.
Seja o medo (o que me afasta) ou a impulsividade (que me faz arriscar, surtar), seja o drama (os porquês, as queixas) ou a razão (os poucos momentos de "pé no chão"), não sei. Sei que ainda NÃO aprendi a colocar todos esses sentimentos ordenados dentro de mim.
Essa loucura interna, essa complexidade que afasta a "simplicidade", esse jogo de palavras ambíguas, me tiram o brilho, me apagam, me transformam em alguém que não sou, em alguém que não quero ser...Faz qualquer "paciência de elefante" ir embora.
Por isso, sofro por antecipação, desisto sem tentar, fujo ao sentir os primeiros arrepios, a primeira dor... Dou lugar a uma covardia sem limites, mas por "achar" que estou cuidando do meu coração e, com essa atitude, ponho para fora os "maus" e os "bons". Ou seja, estou arriscando acabar só, com a solidão. É um risco.
Por algum tempo, a lembrança me fará companhia. Mesmo que eu lute para tirá-la todos os dias do meu pensamento, eu sei que "ela" se fará presente.
Só mesmo o tempo para mudar, para "me" mudar...
Saudade do que deixei de viver pelo medo.
Lud Figueira
terça-feira, 23 de março de 2010
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