“Eu te amo”. Era o que pela primeira vez tive vontade de dizer. “Eu te adoro” estava ficando pequeno, diante do turbilhão de sentimentos que estava sentindo. Gostaria de dizer como começou, quando me dei conta que estava apaixonada e o pior: O terrível medo que senti, medo de perder esse amor, medo de viver esse amor, medo de estar entregue, medo de verbalizar tudo.
Foi tão natural. Não havia pensado em me envolver, muito menos apaixonar-me. Aliás, sempre tive medo de compromissos, medo de gostar de alguém, medo de sofrer, medo da rejeição. O chato do medo....
O primeiro beijo foi pedido. Segundo me falam, eu o pedi. Mas, digo logo que foi me pedido. Foi tão perfeito que precisei sair do carro e pedi que repetíssemos. Foi ainda mais perfeito. Claro que o pânico se instalou naquele segundo em meu coração, mas tentei relaxar. Ao menos, tentei. No dia seguinte, ao acordar, uma mensagem se referindo justamente ao beijo me foi enviada. Mais tarde outra, mais outra, uma ligação e assim, quando me dei conta, estávamos nos vendo, nos falando, conectados 24horas por dia.
Caminhadas fizeram parte da nossa rotina. Copacabana, Ipanema, laranjeiras... Explorar lugares atrás de mate com limão, mc donalds ou apenas mais uma saideira, era algo normal. Monólogos também: Ok. Confesso que não paro de falar! Até plagiei uma música: “Verbalize já, Verbalize já!...”. Mas, pânico mesmo era quando tinha alguma coisa de errado e eu ficava num silêncio profundo... Era certo passar uma noite com pesadelos. O melhor, era saber que nunca era uma despedida e sempre um: ”Até logo!”.
Apresentar aos amigos me fez ter reviramentos estomacais. Mal conseguia chegar perto, beijá-lo nem pensar! Estava nervosa tentando agir com normalidade, algo que nunca me foi muito peculiar. Mas ele estava lá, ficou lá. Estava comigo. Isso me causava conforto e dúvida. Acho que nunca acreditei que alguém pudesse querer estar comigo por querer, por gostar da minha companhia... Ele não me via como um salmão saboroso e sim como uma companheira, como alguém.
Não posso esquecer o quarto 607. Lá eu aprendi que intimidade faz toda a diferença. E que até uma simples mortal como eu pode, pode ronronar... Roncar não... Ronronar....
Saber que o dia seguinte pode ser incrivelmente maravilhoso foi surpreendente. Ligações, mensagens e vê-lo no final do dia, foi lindo. Descobri que até poderia sentir ciúme, ao pedir que ele não se deixasse ser vítima. Sempre tem tucanas e tucanos por aí...É sempre bom ter cuidado.
Segunda, terça, quarta, quinta, sexta, sábado e domingo. Todo dia era dia de ficar junto. Não havia a palavra “NÃO”. Como me diziam: “Você pode tudo!”. Eu realmente acreditei nisso. Ah, já ia me esquecendo: Como é bom andar de mãos dadas! No começo eu ficava tímida, pegava no dedinho apenas, mas depois, já estava partindo de mim dar as mãos. Que loucura é estar apaixonada!
Os beijos ficaram cada vez mais íntimos e dividir comidas, foi uma intimidade um tanto “nojenta” que incluímos no nosso cardápio rotineiro. Assim como as mensagens de bom dia. Ele tentava dizer que minhas regras não existiam e eu tentava viver como se as dele fosse normais para mim. A questão era que o mundo dele era muito mais legal do que o meu: No mundo dele podia dizer tudo, não existiam jogos e sempre, sempre tinham momentos que possuíam continuidades; já meu mundo era triste e solitário, com pessoas e momentos superficiais, jogos incalculáveis e lágrimas mais que sorrisos. Não foi a toa que me apaixonei por ele.
“Ludmila Figueira”. Nunca gostei tanto de ouvir meu nome. Mas, nem tudo são flores e depois da nossa primeira ida ao cinema, rolou uma conversa séria. Decidimos nunca mais nos encontrar, nada de mensagens e de telefonemas. Isso tinha um porque, mas não posso contar agora. Fiquei tão triste! Tão triste que não consegui me controlar, deixei lágrimas tímidas rolarem pelo meu rosto. Cheguei em casa com uma sensação horrível. Foi então que percebi que estava completamente apaixonada por ele! Que não podia deixá-lo ir embora assim. Foi então que respondi uma mensagem que ele, teimoso, me mandou: Ele disse: “E se a minha vontade for ser seu?” Eu respondi: “Seja meu!”.
No dia seguinte adivinhem: Estávamos juntos! Foi quando trai o mate e me rendi a uma taça de vinho. Sabe quando você fica com aquela cara de boba, aquele sorriso constante nos lábios, aquele olhar que parece dois corações ambulantes? Passei esses dias assim. Ninguém mais existia, éramos eu e ele, no fantástico mundo da Lud.
A felicidade extrema e a melhor sensação que já senti na vida, foi sem dúvida uma conversa que tivemos de frente ao mar, pós uma festa. Nem preciso falar que passamos a festa toda juntos, no melhor estilo casal apaixonado do ano! Sentados ali, no calçadão, fizemos declarações e percebi que era real: Era recíproco: Estávamos apaixonados um pelo outro! Meu Deus! Não há sensação melhor do que você saber que é correspondida e que assim como você tem medos e inseguranças o outro também tem. Confesso que até me senti normal. Eu estava apaixonada!!! Eu, quem diria! Completamente, absurdamente, desesperadamente apaixonada! E como foi bom!
Mas, para ser tão normal como a maioria das pessoas, teve uma prova final. Ele veio na minha casa. Ah! É verdade que possuo muitas casas, mas esse grau de intimidade e aproximação eu nunca havia tido com ninguém. Sim, eu estava muito nervosa. Com medo de piadas externas e tudo mais. Fui surpreendida por uma onda de tranqüilidade ao olhar para ele e tudo correu bem. No final, como de costume, demoramos horas para nos despedir. Terminamos o dia fazendo declarações no meio da rua e o melhor: Felizes!
Descobri o skate e como eu não levo jeito para esportes. Também desisti do vídeo game. Ele me mostrou seus dotes culinários e me apaixonei um pouco mais. Comi a melhor pasta-macarrão da minha vida! Aquele molho ralo foi o melhor! As noites de arte e suor ganharam cores cada vez mais vivas e nessa noite, tive outro ataque de pânico e o silêncio se instalou novamente. Ok! Não sou uma estraga prazer, mais havia um probleminha pairando sobre nossos corações e, ás vezes eu era obrigada a sair do mundo fantástico de Lud e voltar ao mundo complicado da realidade.
Mas, o dia seguinte deixou tudo claro e limpo. Um passeio na Lagoa e uma corridinha atrás do outro e algumas risadas seguida de um monólogo feito por mim me deixaram mais calma. Encontramos-nos novamente e eu, um “bichinho selvagem” devorou quatro esfirras de queijo em minutos... Ficamos juntos, abraçados, nos olhando, nos olhando...
Até que chegou o dia. A despedida.
Agora posso dizer que experimentei a melhor sensação do mundo: Gostar de alguém e alguém gostar de você! Vivi cada momento sendo eu mesma, amei cada segundo, eu realmente vivi um conto de fadas. Mas, nem tudo são flores e sempre há um ou outro obstáculo que precisamos superar.
Eu sigo esperando a metade do meu coração voltar. Sigo esperando minha risada, meu carinho e principalmente meu cheiro de volta.
Descobri que sou a mulher perfeita: A mulher igual às outras, aquela que se permitiu amar e deixar ser amada!
O meu amor é seu.
Beijos
@ludfigueira