“É pela memória que se puxam os fios da história. Ela envolve a lembrança e o esquecimento, a obsessão e a amnésia, o sofrimento e o deslumbramento. (...) Sim, a memória é o segredo da história, do modo pelo qual se articulam o presente e o passado, o indivíduo e a coletividade. O que parecia esquecido e perdido logo se revela presente, vivo, indispensável. Na memória escondem-se segredos e significados inócuos e indispensáveis, prosaicos e memoráveis, aterradores e deslumbrantes”.
Trecho de análises de Octavio Ianni.
"Hoje eu queria falar com você, encontrá-lo, dar um beijo como o último e não falar nada. Ficar horas num silêncio nostálgico, apenas conversando através dos beijos e abraços. Até porque o que vamos conversar? Tudo parece tão definido, tão individual, que não precisamos conversar para provar que sim: Estamos em sintonias diferentes. Eu gostaria de um romance, daqueles bem bregas, com trilha musical e tudo. Você está mais para grandes aventuras, dividir camas com estranhas, entrar na "farpação'' com os amigos. Mas dentro dessas diferenças absurdas, dessa falta de um amanhã, a energia que liga esses dois corpos desconhecidos é algo estranho de se pensar.
Na verdade, durante o ápice do momento, não há como dizer não, por mais que se tente fugir, fingir, é tudo muito forte. O que é de se assustar, é a rapidez de como tudo me invadiu, como sabendo de tudo isso me deixei levar, me deixei viver, me deixei querer.
Eu não consigo entender a repetição de mais um drama mexicano em nossas vidas. Já temos o antídoto, porque não o tomamos? Porque sempre temos que dar ouvidos a malvada da esperança, que nos faz acreditar em cada gesto de carinho, a cada olhar misterioso, a cada beijo enlouquecedor? Depois daquele episódio eu já havia me programado para o despertar do Não. Mas, quando o encontrei, nada pude fazer, a não ser compactuar com aquela terrível química, atração, que falava mais alto.
Passei dias abstraindo o que acontecera, que nada mudou, que nada aconteceu, que tudo não passou de um simples momento, uma aventura qualquer... Mas dentro de mim eu queria viver outros momentos, encontrar de novo, eu guardei esse segredo para mim. Guardei aquele momento na minha memória. Parei de falar com amigos sobre o caso. Tentei fazer como ele, e viver os dias que se seguiam como se eu jamais houvesse conhecido. Passei nos testes que se seguiram, menos o da noitada com amigos em comum.
Esse foi cruel. Esse foi mortal. Esse me destruiu.
Não toquei no nome, nada perguntei. Aliás nunca falo nada. Compactuo com o silêncio da relação. Quando encontro os amigos dele, sinto que eles ficam um "pouco" incomodados ao ponto de soltar piadinhas, que eu maestramente respondo fria e seca e imediatamente mudo de assunto. Na verdade só para mim que causou esse impacto todo. Esses próprios amigos me deram força para curtir a noitada com outro cara. Ou seja, não há sentimento, é tudo muito momentâneo, é tudo muito descartável.
Mas por pior que seja o pensamento desses caras, o que eu achava o pior dos piores, me surpreendeu com uma conclusão previsível e realista, de uma forma até gentil. "Eu acho muito bacana essa sua postura, mas não adianta falar para mim que acabou, que não vai mais ficar com ele e muito menos ele virar para mim e dizer que não vai mais ficar com você, pois eu sei, que quando vocês se encontrarem vocês vão ficar, é isso".
É. Talvez seja isso, talvez aconteça isso. Mas espero que o desconhecido que encontrei na festa, mudado por causa do tempo que passou, não volte. Se alguém for aparecer, que seja o cara que falou do amor pela arte, que havia ido aquele lugar por querer me ver. Mas esse cara se foi com a conveniência do momento, com o aparecimento de novos rostos, com o resgate dos velhos amigos, com a liberdade recente conquistada. Agora ele se encontra em um parque de diversões, onde a ordem é viver só o presente, nenhum pensamento para traz, nem para frente.
Só o agora".
Beijos
Lud Figueira
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4 comentários:
Lud,
realmente suas palavras são nostalgicas. Mto lindo tudo isso amiga.Vc é de uma sensibilidade incrível e de uma facilidade de escrita invejável.
Parabéns mais uma vez!!!
E um conselho: nos tempos de hoje ,nós meninas, deixamos de ser cinderelas a espera de um principe encantado, hj nós somos a pocahontas que vai atrás do que quer sem medo de ser feliz.
Vai com td pois vc é uma mulher incrível e rara nos dias de hoje
Bjusss te amo mto
Tudo o que eu queria dizer é que tanto homens quanto mulheres tem medo de se envolver com o outro hoje em dia. Justamente por esse mundo estar tao egocentrico e individualista. Perece que a essencia humana se perdeu. A essencia de viver em comunidade e do cuidado com o outro. Atualmente o outro não importa. A competitividade aumenta. Night?? So serve mesmo pra dançar e aproveitar com os amigos. Para as pessoas que estão buscando um amor e que estão mais seletas, acredito que esteja bastante complicado de encontrar alguem interessante. Esse medo todo (incosciente) que esta internalizado nas pessoas faz com que as mesmas optem por ficarem sozinhas. Pois confiam nelas mesmas. Se entregar para um outro alguem seria, de uma certa forma, se sentir inferior e insegura. Sentimentos que são dificeis de serem vividos. Sentimentos conflituosos. Sentimentos que ao mesmo tempo que faz o ser evoluir, faz ele fugir.
Acho que as cartas devem ser colocadas na mesa sempre. Mostrar o sentimento pelo outro é sinonimo de força e nao fraqueza. O que mostra que vc vai estar sendo honesto consigo mesmo e com o outro. A conquista do inicio de uma relação é fundamemtal mas o joguinho é dispensável.
Homens e Mulheres com ATITUDE é o que há. Mas não com muita atitude assim mulheres, para não assustar os coitadinhos dos homens.
Momentos são bom de serem vividos, mas uma relação de amor intenso não é melhor???
Momentos são bons de serem vividos, mas uma relação de amor intenso não é melhor???
Desde que se tenha uma continuidade. Se é intenso, é sinal que há um sentimento inquieto e sedento por um amanhã.
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