domingo, 7 de dezembro de 2008

Uma despedida elegante

Como diria um querido amigo meu, esse final de semana foi TRASH. Aconteceram muitas coisas desagradáveis, que infelizmente pessoas teimosas como eu, se forçam a passar por tais situações para ter certeza que é verdade o que está acontecendo.

Minha semana foi uma loucura, poucos sabem, mas estou terminando o curso de jornalismo, e, durante a semana que se passou, entreguei minha monografia- Batom na Tela- Análise de dois blogs femininos. Ainda estou tensa, pois só vou defendê-la semana que vem, então vocês podem imaginar o tamanho do meu nervosismo.

Para abalar um pouco mais as minhas estruturas, há cerca de três semanas, reencontrei um caso mal resolvido, daqueles que nunca se falou nada, mas basta os olhares se cruzarem para tudo acontecer.

Pois bem, voltando ao passado, há cinco anos atrás eu vivi as aflições e ilusões do primeiro amor. Mas, foi um caso mal resolvido, que o tempo custou a passar, mas de uma certa forma, resolveu-o para mim. Prometi para mim que resolveria meus "casos" e não deixaria mais se tornar algo sem definição, algo sem palavras, algo onde só houvesse movimentos.

Mas, a grande verdade é que nunca consegui falar. Tenho medo das palavras ditas, dos DRs (discutir relacionamentos), acho que sempre tive medo de ouvir a verdade do outro. E o pior de tudo, coloquei na minha cabeça um modelo de perfeição de mulher que hoje, sei que nunca chegou perto do modelo da Ludmila- Sempre fui a mulher que não trazia problemas, nunca ligava, nada pegajosa, diria até um pouco fria, e uma verdadeira amante na cama.

Com o tempo, acabei achando que ser assim, era o melhor. Afinal, como todo mundo vive a fase do egoísmo, do pouco caso com os sentimentos do outro, ser assim era uma maneira de me defender, mas hoje percebo que sempre vivi na sombra dos relacionamentos, na superficialidade das emoções, no estilo Cinderela- com hora para acabar a festa.

Esse ano, cometi todos os erros. O primeiro foi me apaixonar por alguém que tinha escrito na testa: Problemas! Para vocês terem noção da minha sorte, o ser amado em questão apenas, vejam bem, apenas, havia acabado de terminar um namoro há poucos dias; um simples namoro de 7 anos. Simples assim.

Claro que qualquer pessoa normal, teria saído correndo, colocado a cabeça no lugar e jamais se envolveria com uma pessoa numa situação dessas. Mas, eu, alguém que poucos sabem, intensa apaixonada, aventureira, sonhadora e maluca, não me importei com esse simples fato e fui apenas, vivendo, na minha, deixando rolar.

Estabeleceu-se o seguinte: Nada de telefones (tipo um acordo velado), nada de dia seguinte, apenas o aqui e o agora, quando se encontrar, quando se esbarrar por aí, vemos como fica.... Ok. Aliás hoje em dia, os casos são assim mesmo: aquele momento sublime e depois, bom depois é tocar sua vida e esperar pelo próximo.

Tudo bem. Como sou uma pessoa estranha(nunca namorei e confesso que há até pouco tempo tinha verdadeiro pavor de relacionamentos) para mim, estava boa essa situação, até eu vir a me apaixonar. Mulher quando se apaixona, perde o controle, perde a direção e começa a fazer coisas que o outro não espera. No caso em si, eu me apaixonar era quase a morte para essa tentativa de relacionamento, pois a última coisa que o outro queria, era se apaixonar por alguém.

Vivi na sombra e no silêncio. Vivi na espera. Houve ligações mal sucedidas, beijos descompensados, tentativas frustradas de se chegar a um denominador comum, aquele lance de esperar os "gnomos" marcarem os encontros inesperados, muito frio na barriga, muito álcool para conseguir descontrair o ambiente, muitas lágrimas nos dias que se passaram, muitos sonhos, momentos que só uma colecionadora de momentos pode avaliar.

Claro que, como tudo na vida, chegou a hora do: CHEGA!. E final de agosto, depois de um encontro num evento desses de música eletrônica- os melhores eventos são de música eletrônica- depois de mais uma noite de palavras bonitas, arte e muito suor, vi que era apenas um caso de uma noite e nada mais. Decidi esquecer e ficar longe. Com isso, comecei a dar oportunidades para novas pessoas entrarem na minha vida. Nada como novos possíveis amores, para esquecer velhos possíveis amores.

Foi o que eu fiz. Conheci novas pessoas, novos beijos, novas camas. Me joguei nos eventos, nas festas, na diversão. Até que, aquele caso estranho tinha sido esquecido, nunca mais lembrei, nunca mais falei e relaxei.

De repente, depois de dois meses, o que acontece: Encontro com o tal caso estranho. Meu coração salta pela boca, minhas pernas tremem, meu estômago revira, minhas mãos ficam geladas, minha boca seca... Êpa, Êpa Êpa! O que está acontecendo?! E a terrível conclusão:- "Não o esqueci, jamais o esqueci, meu semtimento por ele apenas estava adormecido, ele ainda mexe comigo."

Terrível conclusão. Acho que meu sentimento por ele estava de férias porque quando voltou, voltou com tudo. Mas também, agora eu estava menos compreensiva, menos submissa, menos legal. Agora estava mais disposta a acabar com silêncios, a falar a verdade, estava disposta a dizer a que vim, o que quero e quando quero. Mas quem disse que mulher apaixonada consegue dizer não? Consegue se impor? Consegue honrar com palavras, aliás, quem disse que mulher apaixonada têm palavra? Têm credibilidade dos outros?

É isso. Me permitir enxergar o outro e a ver claramente suas atitudes, e vi que por ele, estava me deixando ser usada, que para ele eu era uma doce e deliciosa noite, uma linda e boa "garota" que tudo aceitava e nada falava. Ou seja, uma boba apaixonada.

Mas antes de chegar a essas tristes e reveladoras conclusões, tomei uma atitude que difícil para mim foi. Como não tenho coragem de falar, sou péssima com palavras faladas, resolvi, voltar a adolescência e escrever uma carta, traduzida para os dias de hoje, um email. Aprovado pela equipe das amigas unidas e presente e a par sobre toda a longa história, mandei.

Apesar de tudo, o ser amado sempre se mostrou ser muito sensível, aliás, não é todo mundo que possui sensiblidade para fazer desenhos incríveis, telas maravilhosas, artes que só quem tem coração dançante consegue interpretar.

O email não pedia uma resposta, mas pedia algo do tipo: Ok. recebido o email. Pedia um sinal de vida. Nada aconteceu, nada houve. Depois de cinco dias, a minha resposta veio em forma de um encontro inesperado, na magia da noite, sob os efeitos do álcool, sob o calor do momento.

Mas uma vez fui uma fraca, sem palavra, e acabei no mundo encantado do ser amado. Ouvi palavras lindas, pedidos românticos, tudo perfeito, magicamente perfeito. Voltei para casa ouvindo Lauryn Hill, com o coração soltando fogos.

Mas, mesmo passando mais um momento, eu sabia que nada mudara, e meu coração por mais radiante que estivesse, estava na verdade apertado, preocupado. Bom, decidi fazer uma ligação para saber se o ser amado ia na festa de uma amiga em comum, qual foi a minha surpresa??? Mas uma vez não houve resposta. (um dia eu explico sobre a síndrome do telefone)

Relaxei. Afinal de contas era sexta-feira, e havia duas possibilidades: The Week (o inferno adorável) ou uma festinha na Barra da Tijuca de surf( na verdade tem um nome, mas, agora não me lembro). A festinha na Barra foi descartada na hora, afinal, era quase certo encontrá-lo. Então me encaminhei para a outra opção, que neste dia me pareceu uma das maravilhas do mundo. Ao chegar na The Week, meu telefone toca e adivinha: Minha amiga me dizendo que minha previsão estava correta. O ser amado estava na tal festinha.

Pronto. Já entrei no lugar com cara de ontem, e precisei recorrer ao álcool para a noite ganhar outra cara. Encontrei amigos, me forcei a sorrir e a dançar. Minha vontade era ficar com o primeiro que aparecesse, mas não consegui. Até que a minha amiga sai da tal festinha e vai me encontrar na The Week. 5 hs da manhã, já totalmente sóbria, com uma dor de cabeça daquelas, encontro a minha amiga. Ela vira para mim e fala que ele estava na festa sim, com uns amigos e até onde ela viu, o ponto alto da noite foi um beijo no pescoço que ele recebeu. Depois disso, ir para casa era o melhor que eu tinha a fazer.

Para meu azar, o red bull me fez levantar cedo. As lágrimas percorreram meu rosto o dia todo. Não pelo ser amado, mas por mim. Pois eu era a culpada por deixar a situação chegar a esse ponto. Porque meus relacionamentos me faziam tão mal? Porque eu sempre espero uma atitude do outro? Porque eu só gosto de quem não gosta de mim? Passei o dia me fazendo essas perguntas clichês e numa tristeza de dar dó. Mas, ontem foi aniversário de uma das minhas melhores amigas, não poderia sequer me fechar no quarto e tentar dormir para só acordar hoje. Além do mais, essa era a tal festa que de repente o ser amado fosse.

Fiz aquela super, hiper maquiagem, que esconde qualquer vestígio de olho de sapo ou cara inchada. Coloquei uma roupa e sem perder a classe e a elegância de sempre. Cheguei a festa, mantive a descontração e tentei relaxar. Até que eu vi o único amigo que o ser amado poderia ter ido junto, e esse amigo chegou acompanhado de outra pessoa, o ser amado, não foi.

Fiquei sabendo que esse tal amigo não o chamou. Eu, solicita, fiz novamente um teste. Liguei para o ser amado- Minha surpresa? Dessa vez o celular chamou, mas não fui digna de ser atendida. Deixei recado avisando sobre a festa. Vocês me retornaram? Não, nem ele.

O ponto alto da noite, foi uma conversa que tive com esse amigo dele, onde eu ouvi: "Você é uma mulher como poucas. Você tem classe e elegância, pode conseguir qualquer homem, desde que mude a sua postura, mostre uma postura firme, segura. Caso contrário, todos os homens montarão em você."

Depois disso, me despedi da minha querida amiga e fui embora, para casa.


O tempo é o melhor remédio para curar feridas, decepções. Eu, não posso mais compactuar com esse tipo de relacionamento nocivo, com esse pouco caso, com essa falta de consideração. Amor, carinho, gostar, não se pede. Ou a pessoa têm para dar, ou não têm. Essa história já tinha seu fim decretado no início, mas pela minha teimosia, adiei esse fim. Agora, por bem ou por mal ele chegou. Lamento, lamento de verdade ter passado pela mesma situação de anos atrás, é sinal que não aprendi nada com a relação anterior.

Não se calem, não se submetam aos jogos perversos do amor, saiam da sombra e encarem a verdade! Sejam autênticas e verdadeiras com vocês, dediquem seu amor a quem realmente mereça.

Bom domingo,
Beijos

Lud Figueira

Um comentário:

Maria disse...

adorei amiga!
o melhor de tudo é "o ser amado"
hahaha

saudades de vc!
quero te encontrar!!!

te amo!!

Bjs

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