Achei sincero e sem dúvida
Era quase de manhã, era madrugada
A noite esconde a cidade e você some
Será que é cria da noite e eu não sei?
As horas cessaram naquela manhã
Que vem é outro dia, outro dia
Será um desencontro e eu vou sozinha
Ele não dá um sentimento
Será um jogo intenso que se anuncia
Ele ri e sabe o que faz".
Vanessa da Mata- Longe de Mais
Quem está na vez de jogar? É você? Sou eu?
Me perdi no jogo. Não sei quem dá as cartas agora. Tenho uma idéia, vamos começar denovo?
Oi, tudo bem?
Então, sou um alguém indeciso. Sou uma mulher de fases, sou uma caixinha de surpresas. Talvez meu jeito não declarado afaste você, mas já que estamos começando denovo, vou revelar coisas que gosto e que não gosto.
Gosto do mar, da praia à noite, da areia em contato com meus pés, gosto de beijos roubados, de surpresas criativas, gosto de ouvir sua voz, sua risada, de ver como você fica bonito quando está sem graça, quando não tem o que dizer. Gosto quando você fala sua opinião sem medo do que eu vou pensar. Gosto do modo como você me olha, tentando me decifrar, tentando me entender.
Gosto quando você me fala de seus projetos, da sua vida, da sua arte. Gosto das suas palavras que não são faladas, mas sim transmitidas pelo seu olhar. Gosto da sua confusão de pensamentos, das suas conversas com o mar, dos seus pensamentos expostos em suas artes.
Gosto do seu coração. Da sua auto confiança, do seu jeito de chegar, do seu jeito nada sério, do seu jeito de gente grande. Gosto do seu poder de argumentação, gosto de quando você não percebe que me deixou sem graça, gosto do silêncio na hora do suor e gosto do seu abraço depois.
Gosto mais ainda do seu jeito simples de levar a vida. Acho que foi essa simplicidade que mais me encantou. Seu jeito leve, sem pretensão, sua naturalidade que me fez querer.
Gosto do seu carinho com os amigos, da sua vontade de ajudar as pessoas, da sua filosofia de vida.
Não gosto do tempo que você me dá para pensar. Me deixa indecisa, me deixa com vontade de abandonar tudo e pedir para sair. Não gosto de pensar que é um encontro apenas de desejo pelo corpo, apenas de lençol e travesseiro. Não gosto da sua voz pelo telefone, aliás não gosto de falar com você pelo telefone, acho que fiquei com um certo trauma, nunca consigo falar o que eu realmente gostaria, mas se você não me liga eu também fico chateada. É algo que podemos conversar, quem sabe telepatia funcione entre a gente?
Você precisa saber que não sei falar sobre relacionamentos. Por isso, talvez eu não páre de falar sobre amenidades. Tenho um medo louco de falar sobre meus sentimentos e sobre minhas vontades, sei que isso é algo terrível, mas sou extremamente pessimista, acho que mantenho relacionamentos superficiais com medo de desilusões, que já percebi que elas acontecem de qualquer jeito; sendo superficial ou não.
Mas, a verdade de tudo isso, é que houve tempo demais para poucos momentos. E hoje, quando a gente se encontra, começamos tudo denovo, como dois desconhecidos. Isso que me deixa angustiada, é saber que não há o que pensar. É isso e pronto. Até porque passou tempo demais para propor mudanças. Mulher é assim, relaciona o tempo com tudo. É uma mania feia, mas que faz parte do universo feminino, não tem jeito.
Preciso confessar que ás vezes preferia voltar ao tempo, quando eu o encontrava "por acaso" na noite, por aí. Era mais intenso. Não era marcado, mas havia uma esperança em encontrá-lo. E era emocionante, quente, declarado e ao mesmo tempo tinha um romantismo no ar, uma vontade de ficar junto e esquecer de todos no lugar.
Mas, quando se apresentou uma outra proposta, foi interessante também, mas que acabou se perdendo no caminho e tudo passou a ficar estranho, passou a ser algo manipulado, algo de uma única via, de uma única vontade. Foi aí, nessa hora, que eu parei para pensar. Mas aí, toda vez que, no meu silêncio, eu combinava de sair de cena, de falar não, me via dizendo sim, me via vivendo mais um momento e fiquei presa num ciclo vicioso.
Agora, digo que comecei a relaxar. Tem coisas que são assim: Não tem explicação, não tem palavras, não tem o que fazer. Apenas viver, apenas sentir e guardar com carinho.
Apenas momentos. Apenas bons momentos.
Beijos
Lud Figueira