Limites impostos e não revelados. O prazo para o avião rumo ao novo encontro se esgotou.
Não gosto de finais tristes, melancólicos. Mas não tem como fugir desse roteiro. O fim chega para todos.
Até para histórias que não começaram. Esse desfecho, esse ponto final é um dos mais complicados. Sabemos que precisamos de uma resolução, mas com esperança em novos momentos, em novos sentimentos, caímos na tortura e adiamos um sofrimento em vão.
Devido à minha covardia nas palavras ditas, deposito a culpa no desencontro das vontades do momento.
Não posso falar nada. Fui notificada de tudo, de todos os pormenores dessa história. O fim era previsível. Mas gosto de desafios.
Muitas vezes voltei atrás em decisões não reveladas. Todas ás vezes me deixei ser picada por momentos perfeitos e manhãs solitárias.
Fui a mais perfeita amante. Aquela que resiste a contratempos, esboça sorrisos no dia seguinte, que resiste ao não, aos jogos e nunca, nunca impõe absolutamente nada. Apenas aceita o que o outro pode lhe oferecer, apenas se torna disponível. Apenas se contenta com o agora.
Talvez com o tempo, essa história ganhasse capítulos diferentes. Mas o tempo têm sido prejudicial aos meus sentimentos e desejos.
Por causa do tempo que o outro precisa, passei a perder a minha originalidade, passei a me tornar um alguém sem futuro, frio.
Inibi minhas vontades e desejos ardentes. Ocultei palavras, gestos e ações que pudessem afastar o outro. Mas a verdade é que quando vi, estava envolvida demais e pior, sozinha.
Confesso que muitas vezes não dei ouvidos, e eu mesma me enganei. Achando que estava apenas vivendo o momento, sem qualquer pretensão. Mas ao perceber que estava envolvida, comecei a querer mais encontros, mais beijos, mais arte e suor. Até porque o início de qualquer relação é marcado pelo fogo, pelos impulsos, pelo proibido. Querer sempre mais.
Mas o sentimento se fez presente e não pude mais fingir: O tempo acabou.
Acabar com momentos que sempre foram perfeitos é algo cruel. Mas se sentir sozinha estando se relacionando com alguém é pior.
Pesando prós e contras, não pude mais insistir: O fim se revelou.
Diferenças de estações. Apenas...
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Antes de postar esse texto, conversava com um amigo muito querido que por estar vivendo situação semelhante a essa, esboçou sua opinião:
"É muito difícil sair de algo que sabemos que não acabou. Mas, por divergências de momento, por sintonias diferentes, nos vemos obrigados a dizer não. Falar não para alguém que queremos estar junto é um ato de coragem e preservação de sentimentos. Há quem diga que isso é uma besteira, que não devemos nos proibir do que queremos. Mas é interessante pensar que para o outro, basta um encontro e para você?"
beijos
Lud Figueira
quarta-feira, 18 de junho de 2008
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