terça-feira, 17 de julho de 2018

Crônica da madrugada

"Foi o olhar. O olhar dele não só me despediu diversas vezes como falou comigo. Ele jogou e mal sabia que eu possuía uma total fascinação por jogos e, de certa forma, isso me atraiu. Ele fora descuidado no início. Mas eu o perdoei, pois ele ainda não sabia com quem estava lidando. Afinal, eu poderia ser uma de suas "presas". Ele precisou jogar algumas iscas para ver quem eu era ou aonde eu cederia. Após incansáveis balas perdidas em minha direção, ele recuou. Rapidamente, percebi e busquei uma nova estratégia. Mal sabia ele que havia conseguido minha atenção. Era a minha vez de observá-lo e de saber qual era seu jogo. Precisava que ele saísse de campo para eu entrar. Com ele fora, pude cuidadosamente estabelecer uma conversa. Havia uma forte tensão sexual no ar: Enquanto ele narrava suas aventuras profissionais pelo mundo, eu perdia o foco imaginando sua respiração percorrendo cada canto do meu corpo. Mas, antes de me perder totalmente em meus pensamentos, voltava antes que ele se desse conta do que estava acontecendo. Afinal, minha intensidade não é compreendida por todos. A comida chegou e precisei trocar de lugar. Agora, ao invés de estar em frente a ele, estava ao seu lado. Os sentidos estavam mais fortes e, para minha surpresa, ele voltou ao jogo. Deixei alguma ponta solta. Ele percebeu meu interesse e retomamos. Ele entendeu que estava acontecendo alguma coisa, mas ainda não sabia como conseguir um placar positivo. Eu comecei a esquivar novamente mas, segurei os olhares e mostrei que a minha classe supera qualquer adversário. Eu esperei todos estarem envoltos com debates na mesa do bar e, me levantei para ir o banheiro. Ao sair, sabia que teria um olhar intrigante me esperando. Banheiros feminino e masculino de bar são sempre muito próximos, ocasionando um encontro com poucas opções de fuga. Nos esbarramos, nos encaramos e ele disse:" Eu não tenho limites. Não sei parar". Abri um sorriso, voltei meu olhar para ele e disse: "Não penso em parar". Ele pressionou seu corpo contra o meu, colocou seus lábios próximos aos meus, onde pude sentir sua respiração rápida, como se estivesse se controlando, como se soubesse que se desse o primeiro passo não conseguiria parar. Ficamos nos encarando por alguns segundos, até que eu me movimentei para a saída. Ao virar as costas, antes que eu conseguisse comemorar vitória por ter conseguido resistir à forte tentação, ele puxa meu braço, me enlaça pela cintura, me põe contra parede e me beija. Irracionalmente eu acendo aquela explosão e me entrego, quase como um cessar fogo. Não me lembro o tempo daquela troca energética. Lembro que paramos, ainda tentando controlar a respiração e os batimentos acelerados e, assumindo o controle total, ele pegou o celular, digitou alguma coisa e me disse: "Você recebeu uma mensagem, estou voltando para a mesa". Quando olho meu celular, ele havia me mandado a seguinte mensagem: " Me encontre nesse endereço daqui a 30 min". Voltei para a mesa e o observei se despedindo de todos. Contribui com a cena, nos despedimos e eu mal consegui conter a excitação de encontrar um jogador com uma forma tão imprevisível e maliciosamente provocante de jogar. Esperei um tempo e me despedi de todos, sem levantar suspeitas. Entrei no carro rumo ao endereço na mensagem. Vejo a porta encostada, entro e a porta atrás de mim se fecha e, sem que eu pudesse fazer nada, sou neutralizada e entregue a conhecer a falta de limites de uma noite que estava apenas começando.

Beijos
@ludfigueira








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