quarta-feira, 11 de julho de 2018

Um novo capítulo





Após tantos anos sem uma palavra escrita, acho que devo um pedido de desculpas antes de começar. Aconteceu tanta coisa, que talvez não consiga lhe atualizar de todas as aventuras e desventuras que vivi, do tanto que amei, do quando mudei, do quanto chorei, do quanto cai e levantei, de quantos sorrisos dei, do medo que senti, de tantas escolhas feitas, do quanto renunciei, do quanto me entreguei, do quanto aprendi e errei, de tudo que experimentei, de quantas pessoas entraram e saíram da minha vida e, de quantas permaneceram. E o mais importante: De quantos ciclos se encerraram e começaram. É, muita coisa aconteceu.

Em todas essas experiências, há algo em comum. Estive completamente nua, exposta, entregue. A intensidade tem disso: Se vive tudo ou nada, no limite e além, e, se experimenta os sentimentos à flor da pele. No final das contas, você percebe que a arte de viver é exatamente essa: Estar vivo é lidar com todos esses sentimentos e conseguir enxergar a beleza dos dias que passaram e ainda manter a esperança do muito mais que estar por vir.

E, nada melhor para nos mover do que a sede desse “muito mais que estar por vir”. Imaginar quantas possibilidades existem para cada um de nós, quantas vidas viver em apenas um só corpo, quantas formas de felicidade ainda temos para descobrir, quantas sensações ainda iremos sentir e quanta dor somos capazes de suportar... Nos damos conta que queremos muito para uma só vida. E, seja qual caminho escolhermos, a intenção é apenas uma: Viver o máximo que pudermos.

Foi assim que escolhi viver. E, fui muito feliz e, também experimentei meus momentos de infelicidade. Mas, quando pus tudo na balança, valeu a pena. Essa é a sensação: Tudo valeu a pena.

Agora, me preparo para mais um recomeço, um novo ciclo, um novo capítulo. A sensação de poder começar algo novo é completamente assustador. Mas, ao mesmo tempo, é excitante e mágico. O medo segue para nos mantermos corajosos na jornada e a gentileza para nos mostrar que, com ela, tudo podemos.

Quando um ciclo se encerra, precisamos viver esse “fim”. Antes de nos aventurarmos em um novo começo, há uma necessidade de uma reflexão, uma limpeza no coração, um descanso na mente, uma busca pelos “porquês” da vida, um entendimento pelo que passou. Pelo menos para mim, há sempre uma necessidade de isolamento, de reclusão. É como se eu precisasse de um tempo longe de tudo e todos para me reconectar com o meu “próprio eu”, minha essência, ouvir meu interior. E, digo por experiência própria, é sempre muito sofrido, enlouquecedor e sempre esclarecedor. Durante esse processo, onde me encontro comigo mesma, vou fundo em minhas emoções: Esqueço o paraquedas e me jogo. Vou fundo na dor, vivo o drama do “fim”, entro na nostalgia, no drama em questão. Sem paliativos, sem muletas. Depois, consigo respirar. Consigo abandonar as lágrimas, consigo levantar. Ainda há dor, mas ela sede espaço para a força que habita em nós para continuarmos nosso caminho. E, é nesse momento que começamos a entender aonde foi que erramos, qual foi nossa parcela de culpa nesse “tal fim”; por que não se enganem: Sempre temos a nossa parcela de responsabilidade. Seja no que for. Após isso, damos início à jornada da “cura”.

Com as emoções no controle, voltamos à realidade e aos testes que a vida nos aplica. E, na maioria das vezes, vemos que ainda não estamos preparados para essa volta à realidade. E tudo bem. Porque somos humanos e não há uma matemática para isso: Lidamos com o problema, resolvemos a equação e tentamos voltar quando nos sentirmos melhor e vai ficar tudo bem, porque no final, fica tudo bem.

E, quando passamos por todos os testes e continuamos de pé, quando a saudade segue indolor, quando novas emoções surgem, quando o brilho do nosso olhar volta, quando os sorrisos nos consomem mais que a dor, aí sim: Estamos preparados para escrever um novo capítulo.

Se prepare para mais uma nova aventura!

Beijos
@ludfigueira






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