sexta-feira, 13 de julho de 2018

Menos Drama!



Porque temos o hábito de "super valorizar" todos os sentimentos? Já repararam como tudo em nossa vida, por mais simples que seja, acaba se tornando uma grande "bad"? Se pararmos para pensar estamos mais para uma coluna de "A Vida Como Ela é " de Nelson Rodrigues do que para "Dramalhões Mexicanos".

Verdade seja dita: Nos acostumamos a um bom drama. Que nem aquele cafezinho seguido de um cigarro. Virou um hábito sofrer. Ou, se não há um motivo para sofrer, logo arranjamos um. De repente, a roda de bar virou um verdadeiro consultório sentimental onde o vilão ilude a mocinha. O motorista de uber virou uma espécie de vidente onde já sabia que o Brasil estava fadado a perder a copa e na fila do banco, somos lembrados que é ano de eleição e não há salvação para nenhum de nós. Brincadeiras à parte, não podemos negar que há um drama real com a situação do nosso país. Mas, no geral, fazemos qualquer assunto virar um grande drama.

A questão é que nos acostumamos a ver muito mais do que realmente é na verdade. O exemplo do bar chega a ser clichê. Tentando não levar as coisas para o lado extremista, não tem essa de vilão e mocinha; somos todos vilões e mocinhos nessa história. Um finge comprar a história do outro e na realidade, a gente se engana por que manter uma certa ilusão aquece o coração. Talvez por isso, não vejo a necessidade de fazermos disso um drama épico - Já era algo que Nelson Rodrigues relatava, num cenário anos 50: Com adultério, amor não correspondido, muito sexo e, vontade de casar. O que não deixa muito a desejar nos dias atuais.

Claro que dói quando esperamos mais que o outro pode nos dar. Claro que ficamos chateados pelo Brasil não trazer a taça. Claro que gostaríamos de acreditar que essas eleições vão mudar o país. Mas, não dar certo é "tudo bem" também. São apenas situações "ruins" que já se tornaram comuns e (na maioria das vezes) esperadas por todos. Porém super valorizamos onde dificilmente os resultados mudarão ( bom, talvez o Brasil tivesse mesmo uma chance contra a Bélgica). "Puxa, perdemos a copa". Triste mas, tentamos daqui a 4 anos outra vez e, com certeza foi melhor do que aquele jogo contra a Alemanha (ao invés de nos deprimir e dramatizar, poderíamos ficar felizes pelos jogos que ganhamos e torcer para a próxima copa, bem olhar de "Pollyanna e seu jogo do contente").

O Brasil está atravessando uma crise horrível, mas precisamos acreditar que algo de bom vai acontecer, senão vamos passar o resto da vida lamentando e reclamando. O mesmo eu digo sobre as relações hoje: A era digital resolveu o meio de campo e trouxe praticidade e agilidade nas negociações no "jogo do amor" e, também, intensificaram os dramas por conta da falta de sentimentos e pela frieza e superficialidade que tratamos as relações. O que faz com que voltemos a questão de pararmos de nos importar com situações que não mudam ou, não pretendem mudar. Saber se você vai continuar no drama ou vai mudar a forma como você encara as situações é que vai lhe trazer algum resultado diferente.

Super valorização é igual a gasto de energia, dor de cabeça e reclamação. Menos drama é igual a aproveitamento melhor do tempo e conversas mais animadas no bar. Não estou trazendo uma fórmula matemática, apenas tentando amenizar situações onde essa super valorização dos sentimentos já fazem parte do nosso cotidiano e, ainda sim sofremos.

Que tal mudar de estação e descobrir "novas músicas" onde o drama talvez tenha seu valor?

Beijos
@ludfigueira


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